Um movimento interessante – a verdadeira dinâmica

Abordamos a dinâmica do Samba de Roda, com as regras implícitas e explícitas designadas a homens e mulheres. Essa dinâmica é presente nos eventos de Samba. Porém, um novo movimento, bastante interessante, pode ser observado nesses mesmos eventos: há sinais de mudanças de paradigmas.

Talvez refletindo mudanças sociais, as mulheres não se limitam mais ao espaço da dança. Há sambadeiras que cantam e tocam. Exemplo de mulher que toca instrumentos é a Mestra Dona Chica do Pandeiro.

É bem verdade que, quando tocam, as mulheres não se sentam ao lado dos músicos, porém o fato é que elas tocam, além do prato-e-faca, o triângulo e outros instrumentos percussivos, no Samba de Roda.

Do mesmo modo, homens dançam – alguns dançam muito bem – o miudinho. Essa mudança, em especial, deve-se em grande parte à ação de uma personagem fundamental à cultura do Samba: Joãozinho da Goméia.

Essa mudança de paradigmas, segundo o etnomusicólogo Xavier Vatin, reflete a base da Antropologia. Segundo ele, a tradição evolui; não existe tradição estática. Efetivamente, a não-estaticidade acompanha a "sabedoria popular":

A sabedoria popular é muito mais flexível do que os dogmas religiosos e políticos de cada época 
 

(Katharina Döring)

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Capítulo 2 - o Ontem