As matrizes:

Os brancos portugueses, que dominaram e colonizaram esta terra

Uma das modalidades do Samba de Roda do Recôncavo Baiano, o Samba Chula, teve até seu nome inspirado na música portuguesa. Assim se define o termo “chula”, no Dicionário de Termos e Expressões da Música:


Gênero de música vocal e instrumental e dança de origem árabe do Nordeste português, assemelha-se à Rusga e pode ser encontrado especialmente nas regiões dos rios Douro e Tâmega. Emprega a Viola Amarantina e a Rabeca Chuleira, um instrumento de braço muito curto e registro agudo, que acompanham o desafio de cantador e cantadeira.

 


É interessante notar que a descrição dada pelo Dicionário aproxima muito esse gênero musical ao Samba de Roda. Há  presença da viola como instrumento central, assim como dos “desafios’ entre cantadores, tão típicos do Samba de Roda.


Aliás, a própria viola – no caso, a viola machete –, instrumento símbolo do Samba de Roda, tem origem ibérica, mais precisamente da Ilha da Madeira. Esse maior prestígio do machete pode até ser interpretado como resquício da relação desigual entre senhores e escravos: o acesso à viola machete poderia ser significativo de poder.


As técnicas de toque do machete, como o “pinicado” igualmente são de origem portuguesa, assemelhando-se à época da renascença europeia (figuete e dedilho).
 

A base harmônica e melódica também tem concepções musicais ocidentais, segundo Nina Graeff.


Outro instrumento que possivelmente tem origens portuguesas é o prato-e-faca. Há, também, a possibilidade de as raízes desse uso musical do par prato/faca estar em celebrações africanas - a Komba - como afirma o cineasta Francisco Keth.


Por fim, um elemento central, de origem claramente portuguesa: a língua. Os sambas são cantados em português, e não em línguas africanas, por mais que haja, primordialmente, influência das culturas africanas, no Samba de Roda.

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