História:

A relação entre índios e brancos

No início do subcapítulo a respeito da história brasileira, afirmamos que, no ano de 1500, os portugueses “descobriram” o Brasil. Usamos as aspas, porque o termo, eternizado pelo uso, não condiz com a realidade: a área territorial que conhecemos hoje como o Brasil já estava ocupada há séculos.


Do pouco que se sabe sobre a distribuição de indígenas em solo brasileiro, tem-se informação de índios do grupo Tupi no litoral e de alguns grupos Jê – em especial os Aimorés – em outras regiões, além de outros grupos, sem identificação precisa.

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O fato é que, como afirmou a cientista social Maria Hilda Baqueiro Paraíso,

 

 

essas sociedades indígenas não eram estáticas, nem viviam em completo isolamento entre si. [Os movimentos e contatos entre os povos indígenas] constituem a base para a individualização dos vários grupos e nações indígenas ao longo de muitos séculos em que se dispersaram pelo território americano.

Houve relações de aliança com os colonizadores, nos primeiros tempos. Portugueses eram vistos, por algumas tribos, como possibilidade de aliados poderosos contra grupos indígenas inimigos. Ademais, essas tribos acreditavam que, na necessidade de capturar indígenas para mão de obra forçada, os portugueses invadiriam as tribos inimigas, o que lhes era um duplo caminho de segurança.


Entretanto, essas alianças eram frágeis, “compondo-se, rompendo-se e recompondo-se” como afirmou Paraíso.


Muitos dos índios foram dizimados pelas doenças trazidas pelos colonizadores brancos. Especialmente a varíola, na década de 1560, matou um grande contingente (do qual não há estatísticas) dos índios que estavam nas missões jesuíticas.
 

Além das dizimações devido a doenças antes desconhecidas pelos povos indígenas, estes sofreram pela escravização. À violência, óbvia quando se fala de escravidão, assomava-se a desarticulação social dos povos nativos, afinal o conceito de escravidão eliminava os parâmetros referenciais de definição de prestígio social e de chefia.

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Spix e Maitius - Negociantes Contando Índios

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Agostino Brunias - Índios atravessando um riacho (ou O Caçador de Escravos, ou Capataz Cuidando de Escravos Índios)

Os povos indígenas revoltaram-se contra a nova situação, sendo documentadas revoltas nos anos de 1545 (Bahia) e 1546 (São Tomé, Espírito Santo e Porto Seguro). Outro grande contingente de indígenas fugiu para o sertão.


Para lidar com as revoltas e garantir o projeto de colonização, os portugueses que aqui estavam adotaram como estratégia uma política dualista: proteção e imposição de novos padrões culturais aos “índios mansos” e “Guerra Justa” àqueles grupos indígenas opositores e mais resistentes.
 

Os novos padrões culturais estavam relacionados à aculturação, empreendida por padres jesuítaspor meio da cristianização.


Consideravam-se os indígenas como pertencente a uma “raça inferior”, que deveria ser “domesticada”. De acordo com os jesuítas, os índios eram seres humanos com alma, o que os tornava passíveis de conversão, desde que submetidos, por meio da força, à obediência. Assim, para os jesuítas, índios deveriam ser salvos, ensinados e convertidos ao cristianismo.

Essa postura era dissonante em relação aos colonos. Estes desejavam tomar os índios convertidos, já “domesticados”, como mão de obra para os engenhos de açúcar.

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