A busca pela eternização

Efetivamente, muito já se conquistou, a partir das titulações recebidas pelo Samba de Roda. Conquistados os títulos que lhe conferiram importância oficial, estabeleceu-se um “Plano de Salvaguarda”, com quatro linhas de ação:


1. pesquisa e documentação;
2. reprodução e transmissão às novas gerações;
3. promoção;
4. apoio.

Abaixo, listamos algumas das ações já realizadas, com vistas à eternização do Samba de Roda.

- Para a candidatura do Samba de Roda à III Proclamação das Obras-Primas do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, foi produzido um Dossiê. De fato, esse foi um documento escrito com vistas à candidatura, porém, em si, ele já pode ser considerado um passo rumo à eternização do Samba de Roda, uma vez que faz um registro bastante completo de elementos do Samba de Roda.

Capa_do_Dossiê.jpg

Capa do Dossiê

(Para ler o Dossiê, clique sobre a imagem)

- Os pesquisadores envolvidos na preparação do Dossiê Samba de Roda do Recôncavo Baiano continuaram seus esforços pela perpetuação desse bem cultural, por meio do Projeto Cantador de Chula. Eles ouviram 16 mestres sambadores, e tal estudo resultou em mais esse documento de registro. Como os próprios pesquisadores definem, no site do projeto,

o projeto “Cantador de Chula”, promovido pela Associação Sócio-Cultural Umbigada, com patrocínio do Prêmio Avon Cultura de Vida através do incentivo fiscal da Lei Rouanet, coloca à disposição do público um acervo de 3000 cds e dvds – acompanhados de encarte com textos da pesquisa histórica, sócio-cultural e musical – contendo exemplos musicais e poéticas do samba tradicional do Recôncavo baiano  e do Agreste, além de depoimentos e imagens diversas sobre a vida e obra dos mestres de samba e dos mais velhos cantadores.

 

- Em abril de 2005, foi fundada a Associação de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia (Asseba).

 

 

 

Cerca de 120 grupos são membros da Associação, que tem como intuito a a “auto-organização dos grupos e indivíduos que praticam o Samba de Roda no estado da Bahia” para que, assim, se promova “a sustentabilidade social e a autonomia do processo de valorização e fortalecimento dessa forma de expressão”. Ou seja, a Asseba intenta dar condições de profissionalização aos sambadores e às sambadeiras do Recôncavo Baiano.

- Ligada à Asseba, foi fundada a Casa do Samba, na cidade de Santo Amaro da Purificação. Além de ser a sede da Associação, a Casa do Samba é um Centro de Referência, apoio, estudo e difusão do Samba de Roda da Bahia.

- Em 2011, deu-se início à implantação da "Rede do Samba de Roda", a extensão da Asseba a 14 municípios da região: Antônio Cardoso, Cachoeira, Conceição do Jacuípe, Feira de Santana, Irará, Maragogipe, Salvador, São Félix, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Saubara, Simões Filho,Teodoro Sampaio e Terra Nova.

Casa do Samba Mestre Celino

Julho de 2018

- Em escolinhas de Samba de Roda, ensinam-se alunos de todas as idades a tocar instrumentos como pandeiro, violão, viola machete, viola paulista, cavaquinho, timbal, reco-reco.

- Pode-se afirmar que essas escolinhas tiveram como uma de suas inspirações ações como aquelas realizadas pelo Samba Mirim Flor do Dia, fundado por Dona Dalva Damiana de Freitas. Segundo a instituição, que iniciou suas atividades em 1980, o Samba partiu “da percepção de necessidade em dar continuidade ao Samba de Roda tradicional”.

É perceptível que as quatro linhas de ação do Plano de Salvaguarda (1. pesquisa e documentação, 2. reprodução e transmissão às novas gerações, 3. promoção, 4. Apoio) repousam sobre dois pilares, que se interpenetram:

saber quem se é

mobilização dos sambadores pelos sambadores

E efetivamente, é visível o quanto já se caminhou, com relação a esse autoconhecimento e capacidade de mobilização.


Porém igualmente visível é o quanto ainda falta caminhar, rumo a uma amplitude da valorização e eternização desse bem cultural inestimável, que é o Samba de Roda.
 

Em nossas pesquisas, surgiram algumas sugestões vindas de estudiosos, sambadores e sambadeiras. Elencamo-las aqui.

  • Ensino nas escolas regulares.

Assim como Rosildo Rosario afirmou na Cartilha do Samba Chula, “o movimento em torno do Samba de Roda não é para escolarizar o samba, mas, facilmente pode servir para sambarizar a escola”.


E isso já vem ocorrendo, em certa medida. Alexnaldo Santos e Agnaldo Nascimento abordam o assunto:

  • Maior seriedade, na Bahia, com relação à valorização de seu samba-raiz.

O sambador Agnaldo Nascimento toma como termo de comparação o modo como as escolas de samba do Rio de Janeiro encara com seriedade seu samba, sua cultura.

  • Maior incentivo governamental.

Segundo sambadores como Alexnaldo, o auxílio financeiro às atividades relacionadas ao Samba de Roda é apenas temporário. Ele, assim como outros sambadores, trabalham voluntariamente, sem qualquer retorno financeiro pela dedicação extrema à eternização do Samba de Roda.

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O presente trabalho

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